Extraído de Moura; Lefèvre; Moura (2012). “Narrativas de violências praticadas por parceiros íntimos contra mulheres”.
Coquetel violento
“Meu pai bebe muito e algumas vezes ele briga com minha mãe e bate nela. Fala que vai matar ela, mas são só palavras. Não faz nada mais do que bater. Minha mãe apanhou muito de meu pai quando ele chegava bêbado. Meu pai era alcoólatra e quando bebia ele batia muito nela. Além disso, meu padrasto bebe e ele fica xingando minha mãe e tenta bater nela, mas ela não deixa. Meu padrasto bebia muito e batia nela. Uma vez ele pegou um facão e bateu nas costas dela e ficou uma marca roxa. Meu pai bebia muito e batia muito na minha mãe. Depois de uns oito anos, ele adoeceu com um problema do fígado e aí ele voltou para a igreja e parou de bater na minha mãe. Ano passado o marido da minha irmã bateu nela. Ela não quis denunciar e começou a beber. Hoje, ela bebe muito e é ela que bate nele e ele só se defende e não bate nela. Meu primeiro marido bebia demais e ficava agressivo e me batia muito. Tinha alguém sempre para me salvar. Ele bebia demais e dormia com a faca debaixo do travesseiro. No começo ele não me agredia. (…). E me bateu uma vez. (…) Ele começou a vender e usar drogas e ficou violento. Me bateu algumas vezes e me ameaçou com arma uma vez. Mas ele era um bom homem.”